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10 - 30.07.2001 Infobodies: unfolding and potentialities, derivada III, 2001 Instalação Audio-visual. In Exposição Território Expandido III. SESC Pompéia. Ficha Técnica: Texto: Daniela Kutschat, Grupo Sciarts, Rejane Cantoni. Música: Denise Garcia. Imagens: Daniela Kutschat e Rejane Cantoni. 19.12.2000 Infobodies: unfolding and potentialities, derivada II, 2000. Vídeoprojeções e ambiente sonoro. In Concerto Diabolus in Machina. Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro. Texto: Daniela Kutschat, Grupo Sciarts, Rejane Cantoni. Música: Denise Garcia. Imagens: Daniela Kutschat e Rejane Cantoni. 09.06.2000 Infobodies: unfolding and potentialities, derivada II, 2000. Vídeoprojeções e ambiente sonoro. In Rumos Musicais. ItaúCultural, São Paulo. |
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Infobodies tem como idéia fundante um conceito oriundo da sociobiologia, cunhado por Richard Dawkins, no livro The Selfish Gene, de 1976. Segundo o autor, "examples of memes are tunes, ideas, catch-phrases, clothes fashions, ways of making pots or of building arches. Just as genes propagate themselves in the gene pool by leaping from body to body via sperms or eggs, so memes propagate themselves in the meme pool by leaping from brain to brain via a process which, in the broad sense, can be called imitation. If a scientist hears, or reads, about a good idea, he passes it on to collegues and students. He mentions it in his articles and his lectures. If the idea catches on, it can be said to propagate itself, spreading from brain to brain. As my colleague N. K. Humphrey neatly summed up in an earlier draft of this chapter (his words)...memes should be regarded as living structures, not just metaphorically but technically. When you plant a fertile meme in my mind, you literally parasitize my brain, turning it into a vehicle of meme's propagation in just the way that a virus may parasitize the genetic mechanism of a host cell.” (DAWKINS:1976). O conceito de memes foi utilizado na concepção de infobodies, aqui definido como um sistema formado por sete pessoas que, juntas, atuam como memes e capturam outros memes, presentes na cultura e no imaginário coletivo sob forma de idéias e discursos sobre o futuro, transformando-os, reprocessando-os e propagando-os em uma poética que os devolve ao sistema como poema recitativo, sonoro e visual.
Tomando como espaço de intervenção um simpósio no qual centenas de idéias, conceitos e paradigmas sobre o futuro seriam apresentados por mais de oitenta pessoas, entre elas artistas, tecnólogos e cientistas [[116]], os textos que viriam a ser apresentados foram recolhidos antecipadamente e trabalhados suspendendo-se o texto do contexto, privilegiando-se, assim as relações entre significantes.
Nesse processo, cada um dos sete integrantes do grupo desenvolveu um algoritmo, filtro ou método de processamento dos textos [[117]]. A partir dos vários métodos, os textos foram trabalhados, recompostos e, neles se interferiu sucessivamente, até se chegar a um formato de texto coletivo. No texto resultante há versos compostos por frases extraídas dos textos apresentados, reconfigurados em blocos de leitura, dotados de ritmos e recorrências visuais, criados a partir de uma diagramação que inclui cores e fontes variadas sem que as significações se transformassem em non-sense [ANEXO CD infobodies].
Esse texto serviu como matriz para uma partitura sonora que seguiu a estrutura criada visualmente, recomposta em camadas e coros de vozes sintetizadas e uma cantada. A linha melódica cantada foi pensada de modo a não ficar em primeiro plano e permitir que os versos sintetizados fossem camadas do todo. Desta forma acrescentou-se ao poema uma significação não-verbal dotada de ritmo, intensidade e timbres variados. Este resultado foi apresentado na última noite do seminário, devolvendo aos participantes seus discursos reconfigurados e interrelacionados na forma de composição sonora eletroacústica.
A proposta foi, portanto, a de uma intervenção aberta, proveniente de uma série de processos realizados coletivamente. Neste sentido, abria-se uma vertente para um corpo expandido, ou seja, um pensar ampliado por outras mentes que, agindo conjuntamente, expandem as possibilidades do projeto. Assim o objeto, a propagação de memes, se rebateria para o próprio processo de feitura do trabalho. Portanto, aqui, co-autoria é parte estrutural do projeto.
Na derivada I, apresentada no Espaço Sérgio Porto, infobodies avançou para além das fronteiras do simpósio-evento. Dirigiu-se agora a um público geral que visita anualmente esta mostra sobre música eletroacústica. Assim, a forma do trabalho alterou-se, sem contudo, perder o foco sobre os paradigmas sobre o futuro que circulam no imaginário coletivo. No contexto social contemporâneo esses memes também se propagam através de filmes de ficção e documentários. Nessa derivada, as imagens visuais presentes em alguns filmes e documentários foram capturadas, reprocessadas e devolvidas ao ambiente. Aqui, o trabalho “imaginariza” os discursos historicamente localizados sobre o futuro, associando-os a imagens emblemáticas que habitam documentários e filmes, muitos dos quais considerados clássicos da ficção científica.
As imagens visuais não acompanharam e ilustraram o discurso cantado, mas forneceram, elas mesmas, mensagens não-verbais. Fragmentos escolhidos de vários filmes, cenas e fotogramas foram então extraídos do original e remontados em um novo filme. Galáxias, microorganismos, sistemas integrados, viagens pelo corpo, robôs, células, vírus, máquinas, avatares, alucinações, túneis do tempo, nanoestruturas, vidas extintas, códigos, diagramas, corpos sintéticos, entre outros, foram fundidos em camadas, compondo novas imagens, hibridações entre micro-macro, corpo-ambiente, sinapses e sistemas integrados. Montadas como uma sucessão de múltiplos pontos de fuga, o vídeo resulta em uma colagem quase hipertextual.
Na derivada II foi criado um ambiente audiovisual, estendendo a dimensão visual para duas projeções simultâneas [[118]]. A segunda projeção seria o rebatimento invertido da primeira, deslocada sobre um eixo horizontal comum. As duas projeções se fundem em uma zona intermediária, no segundo terço de cada imagem projetada sobre o plano comum, o que resulta em uma área de projeção que gera uma ilusão de relevo de contornos indefinidos na área central, provocando um estranhamento. A simetria resultante do rebatimento simultâneo de imagens em um campo comum de projeção leva o espectador a posicionar-se em um ponto central da sala, ponto no qual o som se funde em estéreo.
Realizada no contexto de uma civilização técnica
em constante transformação, infobodies incorpora
o relativo e o transitório como dimensões de um recorte
que constantemente revê o futuro a partir de elementos da
cultura contemporânea, idéias presentes em múltiplos
discursos e depoimentos que operam visões e previsões
do futuro. Esta estrutura de trabalho em progresso contribui para
que o projeto se desdobre em derivadas. Os elementos das mais variadas
origens são reunidos e processados como memes, formando
recortes dos temores e desejos contemporâneos sobre o futuro.
Infobodies, derivada I . Apresentação multimídia. Duração: 10:11'. Projeção de vídeo sobre o fundo de um palco no qual uma cantora acompanha coros de vozes sintetizadas, compondo um espaço sonoro em sincronia com a projeção. O vídeo é composto por uma montagem de imagens de documentários científicos e filmes de ficção científica, remontadas em uma seqüência de múltiplos pontos de fuga seqüenciais, que fundem imagens de galáxias a células, células a partículas, sinapses a mecanismos de processamento computacional, diagramas de circuito a mapas de cidade, entre outros. Espaço Sérgio Porto, Rio de Janeiro, 2000.
Infobodies, derivada II. Duração: 10:11'. Ambiente Audiovisual. Sala em formato de cubo (4x4x4) m. na qual há duas projeções de vídeo sonoro sobre uma das paredes. A distribuição sonora é estereofônica. Imagens extraídas de documentários científicos e filmes de ficção científica são remontadas em uma seqüência de fusões entre microcosmo e macrocosmo, processos internos e externos ao corpo, sinapses e processamento computacional, entre outros, compondo múltiplos pontos de fuga seqüenciais. O segundo vídeo é a imagem rebatida do primeiro. Deslocados sobre o mesmo eixo horizontal, os vídeos são projetados simultaneamente sobre uma das paredes da sala, criando-se um campo de sobreposição imagens na área central de projeção. SESC Pompéia, in Território Expandido III, 2001.
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