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Projeto de video-instalação. Câmara escura
em forma de U (12x9x3)m com sete retroprojeções videográficas
simultâneas, dispostas lado a lado, ao longo do perímetro
interno, de dimensões de (3x7x3)m. Imagens de quarenta e
nove pessoas, captadas por uma câmara fixa em registro frontal
do corpo inteiro são reproduzidas em escala 1:1. Estas imagens
formam um acervo de mensagens sonoras e visuais deixadas para o
futuro. Após a gravação das mensagens, o material é recolhido
em uma cápsula do tempo a ser aberta e apresentada vinte
e cinco anos depois. Além do acervo de mensagens, a cápsula
contém um manual de instruções para a construção
da câmara escura na qual o acervo será apresentado.
No CD-ROM anexo apresenta-se parte do piloto deste projeto, contendo
cinco mensagens gravadas e a maquete virtual dessa câmara.
Este trabalho trata da memória em seus múltiplos
desdobramentos: no tempo, no espaço, como experiência,
lembrança e acervo. Trata-se da memória não
como função, mas como agente que atua na experiência
individual.
Em Cápsula do Tempo II, 1997-2026 [[103]], quarenta e nove
pessoas de regiões e idades variadas foram gravadas em vídeo
individualmente, cada uma transmitindo sua mensagem para o futuro.
Em cada mensagem, a voz foi registrada e o corpo foi o suporte
da mensagem. Após a gravação, os vídeos
foram guardados por vinte e cinco anos. Este acervo videográfico é composto
por sete fitas de vídeo com sete mensagens cada. O acervo
revela perspectivas, mentalidades e visões do futuro, sendo
que cada mensagem, tomada isoladamente, é marcada pelas
singularidades de cada pessoa. Cada um dos convidados elaborou
sua mensagem livremente e a apresentou diante de uma câmera
fixa, dirigindo seu olhar a ela. A tomada foi frontal e abarcou
a altura do corpo e sua largura, considerando-se a extensão
dos braços abertos.
Propor a pessoas que registrem uma mensagem para o futuro implica
que os participantes e espectadores entrelaçem atual - aqui
e agora, e virtual - futuro e registro do passado, memória.
O presente é registro para o futuro quando as pessoas gravam
suas mensagens. Ao serem guardadas por vinte e cinco anos, as mensagens
e seus respectivos suportes, corpos, são encapsulados no
tempo. Quando forem lidas no futuro, as mensagens atuais pertencerão
ao passado[[104]]. Há, portanto, um entrelaçamento
de tempos que se interpenetram e a cápsula do tempo viaja
entre estas dimensões, sendo participantes e espectadores
convidados a partilhar destes deslocamentos imaginários
[[105]]. A própria opção pelo suporte vídeo,
uma tecnologia já ultrapassada em 2000, visa de antemão
introduzir no trabalho um efeito de obsolescência esperando-se
que este se exacerbe à medida em que, com o tempo, as tecnologias
avancem e o analógico, fita magnética que se desgasta
no tempo, se transforme cada vez mais em testemunho do passado.
O corpo de cada um é registrado a partir de uma tomada
frontal, que o abarca dos pés à cabeça, assim
como a extensão dos braços abertos lateralmente.
A iluminação, distribuída e refletida sobre
o volume do corpo, confere uma plasticidade escultórica
a ele. A luz assim distribuída, mais parece irradiar do
corpo do que ser projetada sobre ele. Esta aparente tridimensionalidade é interessante
pois, posteriormente, na câmara escura, sete corpos são
retroprojetados lado a lado, ocupando o perímetro da sala
de tal forma que o fundo negro de cada imagem se funde com as paredes
escuras, ressaltando cada corpo em uma aparência quase holográfica.
Na forma de captação há uma referência às
artes visuais, onde se encontram exemplos de retratos nos quais
o homem representado fixa o olhar no espectador, ou seja, nos quais
o autor, o pintor, o fotógrafo ou o videomaker estabelece
um contato virtual entre o homem do passado e o do futuro, através
do olhar ou da luz captada e refletida no ato do registro [[106]].
Também servem como referência auto-retratos, nos quais
o autor retrata seu olhar de si sobre si através de um dispositivo-espelho.
Este olhar posteriormente é lançado ao espectador
[[107]]. Outra referência são retratos que mantém
a escala de 1:1, criando uma ilusão de presença através
da dimensão da imagem [[108]] .
O acervo será apresentado na câmara escura a ser
construída em 2026. A câmara escura será construída
de forma a esvanecer os contornos e limites ambientais com o propósito
de realçar o espaço como campo de projeções.
Os retratos simultâneos, distribuídos lado a lado
ao longo da sala, induzirão o visitante a circular pelo
acervo como em um museu tradicional, colocando-se diante de cada
retrato para vê-lo e ouvi-lo. Cada retrato, projetado na
escala original, a partir do piso, estará se dirigindo a
um potencial visitante como em diálogo. As frases de cada
um serão reproduzidas em baixo volume, formando uma unidade
audiovisual que não interferirá nas outras. Cada
uma das sete projeções apresentará sete pessoas,
sendo que o corte de um retrato para outro será determinado
pelo final de cada mensagem, momento no qual a luz projetada diminuirá até o
preto total e, ao aumentar lentamente, apresentará outra
pessoa no lugar da anterior. Desta forma, a cada nova passagem,
o visitante, poderá estar vendo diferentes retratos projetados
na sala. O visitante notará que, enquanto estiver diante
de um retrato, os retratos ao lado estarão se alternando,
cada um dotado de uma duração própria .
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